quinta-feira, 27 de setembro de 2012

[agulha]

Amor
e o espaço que ocupa
Tão pequeno, que às vezes machuca,
na cabeça (de agulha)
Quem dança? Não te preocupa?
Então mergulha no espaço que ocupa
Amor,
Na cabeça da agulha
Quem dança esse tom se orgulha.
Não anjos, confira (com lupa)
fazendo, ao acaso, uma festa.
Amor,
Ajuda - a festa -
que a mente se despreocupa,
Contanto que haja uma fresta
O amor, como gás, ocupa
o espaço que
(a mente emp)resta.


27 de setembro? Dois meses de atraso pro meu poema-de-aniversário. Justo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

quarta-feira, 16 de maio de 2012

[eu, escritor?]

Antes de começar, peço desculpas. Esse post será pra lá de egocêntrico e talvez um pouco desagradável praqueles que se identificarem.


Andei me lembrando de como eu costumava escrever quando era mais novo. Não que eu me sinta velho agora. Quando digo ‘mais novo’ é daquele jeito que falamos dos 15 anos pra sentir menos vergonha.
Eu não comecei escrevendo. Comecei brincando no RPG Maker. Me lembrei de uma forma vívida demais pra ser agradável da sensação de exaltação que eu tinha ao fazer histórias bobíssimas, clichês e me divertia com elas durante horas, meses, “programando” e desenhando os personagens animados. Para os mais familiares com termos de jogador, cheguei a terminar a primeira dungeon de pelo menos uns três RPG’s, mas alguma mão divina sempre fazia meu computador dar pau e eu precisava formatar. Daí sempre começava de novo, com uma história nova, muitas vezes. Ficava orgulhoso e continuava fazendo, soltando minha fumaça sem precisar de ninguém olhando nem me dizendo que estava legal.
Depois comecei a escrever histórias épicas – só começava – mas depois de um tempo largava por falta de ideias. Sempre começava outra. Sempre via meus erros e pensava “eu mudei e não me identifico mais com isso”, partindo pra próxima.
Então abri o  fotolog (devidamente deletado) onde eu fazia registros pra mim mesmo das coisas que eu queria registrar. Nunca me preocupei com notoriedade ou fama ou fazer amigos, como era normal na época (até no meio metaleiro, no qual eu meio que me inseria sem querer) ainda que isso tenha vindo, por vezes, até mim. Com o tempo ele foi andando até virar o blog.


Tenho quase certeza – e o pouco que me falta de certeza sobra de vontade de acreditar – que sempre se chamou ‘a sip of ether’.
Era um lugar onde eu vinha pra tirar coisas do peito. Não passava pra quase ninguém.
Nessa época já não escrevia mais histórias mirabolantes – ainda que clichês – com o mesmo gás de antes. Meu tato pra colocar uma palavra atrás da outra e fazer soar interessante definitivamente tinha melhorado, mas faltava-me certa faísca de inspiração. Ela foi se apagando com o tempo e não sei quando foi que começou.


Talvez já tenham reparado pelos últimos posts que estou entrando numa fase estranha de resgate. De querer trazer de volta umas coisas que eu era e misturar com outras coisas que sou.


Foi aí que comecei a pensar – e, confesso, penso demais -; hoje eu me considero indubitavelmente melhor escritor do que eu era quando tinha 16 anos, mas certamente eu não sou metade do contador de histórias.


Eu acreditava que aquilo era o melhor que eu podia fazer e por isso dava tudo que eu tinha pra fazer cada um dos projetos, e me encantava com eles. Ficava feliz e prosseguia. Olhava pra trás pra corrigir as falhas, mas prosseguia ainda assim. E cá entre nós, não era nada mal.
Hoje eu não sei.

segunda-feira, 12 de março de 2012

[madrugada]

[27 de Julho de 2010]


É madrugada
Tudo aquilo que é silêncio traz um arrepio
O ontem se pendura só por um fio
E o dia de amanhã ainda não me diz nada

É madrugada
Passou uma era e a outra se atrasa
O sol se escondeu sem deixar uma brasa
E faltam só algumas horas pra virada

É madrugada
E eu meio que espero não esperando
O pouco que resta me sufocando
Essa curva incompleta que vem na estrada

É madrugada



Poema-de-aniversário do ano de 2010. Acho que a palavra é "longing", que pra mim se traduz como uma esperança cansada.
Acho que não escrevi em 2011 porque ainda não tinha exatamente passado (e passou? e passa?).

quinta-feira, 8 de março de 2012

[oceano]

[27 de Julho de 2008]

(Numa noite comum, deita-se e cobre-se)
Desprende das coisas inertes do mundo
Mergulha sem medo num sono profundo
Desperta pra sempre no topo do monte
O sol se derrete em luz-horizonte
Percebe no céu de papel uma ponte
Só por um segundo

Sentado a sonhar, ao pé do pomar
Num salto se solta do monte a voar
Seus olhos na lua, seu ser ele abarca
Sua mente uma força, seu corpo uma arca
A lua de giz faz no céu sua marca
Reflete no mar

Despenca, então, à sua fria morada
Como a vida se torna emboscada?
Afoga-se sob lencóis, incomum
Procura na imagem sentido algum
Se sente pequeno, finito, só um,
Quase nada

(Lhes pergunto,)
Se Deus tem pra cada indivíduo um plano
Por quê foi dar justamente ao humano
Ao fazê-lo restrito, pensante, ansioso
Com pompa, audácia, oscilante, medroso
Mártir e santo, ou até monstruoso
Uma alma do tamanho dum oceano?





Não me lembro bem quando comecei com esse hábito. Acho que foi, de fato, em 2008 (um ano um tanto cabalístico pra mim) que escrevi meu primeiro poema-de-aniversário - um bom hábito pra alguém que extravaza no papel.
Ano passado, 2011, não escrevi. Eu gostaria de acreditar que é uma espécie de bloqueio de escritor, mas hoje percebo que esse é só o nome que a gente dá quando não quer se responsabilizar por procurar a saída.
Será que eu vou escrever esse ano?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

[laika come home]

O povo estava reunido em volta das televisões e, momentos depois do lançamento, quebrou-se o silêncio sepulcral. A maioria especulava, alternando entre a esperança e o temor. Bisavôs e bisavós até se recordavam – fazendo alguma força - de Laika, Yuri Gagarin, Armstrong e Aldrin. Os cínicos ainda não haviam se cansado de debater a veracidade do “pequeno passo para o homem” e dos subsequentes, e os exagerados fingiam desinteresse, alegando que já viviam extraterrestres entre nós, como se já tivessem visto muito mais do que aquilo.
E enquanto todo esse burburinho acontecia nas casas – as ruas em silêncio – os tripulantes assistiam da janela o que o resto do mundo assistia nas telas de LED.
O espaço era vasto e vazio – e lindo. Todos os astronautas compartilhavam o sentimento de honra e reverência. Cada um também tinha sentimentos distintos, se despediam da terra levando consigo apenas o que não conseguiam deixar para trás. Não eram, como todos nós, apenas astronautas.
Eram pais, mães, irmãos, amores. Professores, poetas, homens de fé, felizes e tristes e conflitados. Não podiam deixar de ver luzes diferentes pelas janelas e, poupados da gravidade, agora só sentiam pesares que independiam dela. Os sentimentos eram controversos e nenhum sabia o que esperar do fim da missão quando aterrissassem talvez na superfície daquele novo planeta.

O imediato olhava para os painéis e indicadores com frequência, checando por irregularidades que pudessem ocorrer, mas aquelas luzes e botões nada diziam ao seu lado leigo. Executava aquelas tarefas como se fosse tão simples quanto dirigir um carro. Enquanto isso seus pensamentos vagavam pela estratosfera, exosfera, vácuo, indo de encontro à mulher e a filha que o esperavam.
Talvez a preocupação com os indicadores fosse medo da morte, naquele lugar onde não havia possibilidade de socorro. Talvez fosse a vontade de retornar. Quem sabe?

O psicólogo era solteiro, desinteressado, jovem – o tanto quanto poderia ser para tripular um foguete. Mas era cheio de ideias, ainda, e lembrava-se das pessoas. Já tinha visto uma série de casos estranhos, mas acreditava que condições psicológicas são na realidade doenças sociais. Pensava se encontrariam vida ao aterrissar, anos depois. Pensava se essa vida seria racional, e se teriam os mesmos problemas que nós. Depressão, apatia, paranoia, se teriam medo do objeto não identificado.
Se atirariam na nave ou não, pouco lhe importava. Só importava se haveriam curas para males que consideramos invisíveis e muitas vezes subestimamos.
Queria saber se, caso houvesse vida extraterrestre, ela traria mais problemas ou menos problemas. Teria mais problemas ou menos problemas.

Um geólogo os acompanhava. Era o segundo mais velho da tripulação e já sentia nos ossos o cinismo. Sua mente racional a única solução – ao menos até atingirem o espaço. A falta de gravidade o tocou de forma quase irreversível. Ainda não acreditava em Deus. Não acreditava em livros sagrados. Ainda depositava sua fé na ciência. Mas naquele momento teve certeza de que sabíamos muito pouco e que tudo que podia fazer era especular.
Uma lágrima lhe escapou, mas resolveu deixa-la pra depois. Ocupou-se em olhar o espaço da janela, contando as estrelas a perder de vista, e por um momento teve certeza de que pode ver com o coração mais do que o Hubble, quando capturou treze bilhões de anos de luz.

O capitão, do alto de seus quase sessenta anos cansados, tinha medo que a missão fosse infrutífera. Solo fértil, atmosfera e água fresca ou não.


Agradecimentos especiais (e desculpas) ao pessoal do Clube da Leitura da Baratos da Ribeiro, que me proporcionou a oportunidade de "sair da caixinha" com o tema do último encontro do ano de 2011. Novamente, mil perdões pelo não comparecimento e atraso.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

[pássaros]

Quando pássaros são pássaros,
Me parece – fazem pouco.
Piam, voam, são somente.
Pássaros. Suficiente.

Mas por vezes, vezes loucas
Pássaros são deuses – poucas;
Quando cantam, me sereno.
Raro. Simples. Breve e pleno.